sábado, 29 de janeiro de 2011

Foto de A.Matos




A última viagem

A 5 de Janeiro de 2011 o Mestre embarcou na extraordinário nave da sua obra e emigrou para as alturas da eternidade. Vieram palavras de todas as partidas do mundo mas todas as palavras estão ainda para ser ditas sobre a vida e a obra deste mago da pintura, deste poeta exuberante, deste cantor enfeitiçado, deste robusto dançarino, deste encantador, homem bom, artista exemplar, genial criador, que gerou das suas mãos uma das mais inventivas e extraordinárias aventuras da moçambicanidade: Malangatana. Muitos são aqueles que não querem que as suas palavras, as suas fotografias, as vozes, os registos do mestre, com o mestre, sobre o mestre, se percam algures no éter ou no esquecimento. Criamos este blogue, este sítio, esta página para não esquecer nunca o Mestre Malangatana Valente Ngwenya.

(texto de Nelson Saúte, membro da Kulungwana)

10 comentários:

  1. MUNICÍPIO DE INHAMBANE - CONSELHO MUNICIPAL DA CIDADE DE INHAMBANE30 de janeiro de 2011 às 15:32

    MENSAGEM DE CONDOLÊNCIAS

    Foi com profunda dor e consternação que os Órgãos Autárquicos, funcionários do Conselho Municipal e todos os munícipes da Cidade de Inhambane, tomaram conhecimento do falecimento do Doutor Honoris-Causa, MALANGATANA VALENTE NGWENYA, Artista Plástico de renome Internacional, ocorrido no dia 05 de Janeiro de 2011 em Portugal, vítima de doença.

    MALANGATANA VALENTE NGWENYA, nasceu a 6 de Junho de 1936 em Matalana, Província de Maputo, e ao longo da sua carreira artística produziu uma vasta gama de obras no campo da pintura e era um dos mais notáveis artistas africanos.

    Malangatana Valente Nguenha, artista multifacetado, que cantava, dançava, fazia poemas, teatro, cerâmica e escultura, era um grande animador sócio-cultural e deixa para os seus compatriotas uma incontornável lacuna que era inteiramente dele.
    Malangatana Valente Nguenha, herói nacional e artista do mundo da Cultura, o seu desaparecimento físico custará desaparecer das mentes dos munícipes da Cidade de Inhambane, que com ele conviveram no interior da Biblioteca Municipal, quando das celebrações dos 54 anos da Cidade, a 12 de Agosto de 2010, numa exposição fotográfica montada pela Kulunguana por ocasião do evento da Cidade, tendo encantado os presentes, cantando e dançando admiravelmente.
    Neste momento de dor e consternação, os Órgãos Autárquicos, funcionários do Conselho Municipal e todos os munícipes da Cidade de Inhambane apresentam as mais sentidas condolências à família enlutada.

    Que a alma do Doutor MALANGATANA VALENTE NGWENYA descanse em Paz.

    Inhambane, 11 de Janeiro de 2011

    ResponderEliminar
  2. Escrevi este «post» no meu blogue. Como ser publicado aqui, se considerarem apropriado?

    http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com/2011/01/um-outro-malanga.html

    ResponderEliminar
  3. Sou artista visual, vivi a maior parte da minha vida em Mozambique mas agora vivo no Chile; só hoje dia 1/02/2011 soube que Malangatana, grande amigo, morreu. Sinto uma pena imensa!
    Que descanses en paz, meu amigo!

    ResponderEliminar
  4. Já li dezenas de textos a propósito da morte de Malangatana, mas este será com certeza diferente.

    Primeiro, porque tenho aqui perto, desde há muitos anos, este autoretrato que ele pintou numa folha do Record e me ofereceu – é exemplar único.

    Segundo, porque talvez ninguém tenha andado aos saltos com Malagantana numa cama elástica e eu andei. E, desde esta manhã, é assim - a brincar e não com elogios fúnebres - que ele não me sai da cabeça e que me apetece referi-lo.

    Era um daqueles fins-de-semana prolongados, com um feriado que os espanhóis sempre teimaram em não festejar connosco (5 de Outubro, se não me engano), e mandava a tradição que se desse uma saltada a Espanha, de preferência em grupo e em caravana. Badajoz era quase sempre o modesto destino mas, dessa vez, foi-se até Madrid nuns belos dias do Outono de 1972.

    Já não sei bem como nem porquê, um dos serões acabou algures numa espécie de cabaré onde estava em cena um espectáculo mais ou menos ginasticado. A páginas tantas, pediram insistentemente que dois espectadores fossem ao palco e saltassem, alternadamente, em cada uma das pontas de uma cama elástica. O Malanga e eu decidimos entrar na brincadeira e, como ele nunca foi leve e eu ainda não tinha engordado, cada um dos seus impulsos fazia-me subir quase ao tecto, para grande gáudio de toda a assistência – voei, no sentido estrito da palavra, como nunca me aconteceu na vida, nem antes nem depois.

    Ao longo dos anos, sempre que nos reencontrávamos, ele repetia, com aquele sorriso inesquecível e do tamanho do mundo: «Patrícia, temos de voltar a saltar numa cama elástica!». Mas não voltámos. Nem voltaremos. Porque o salto dele foi hoje solitário e enorme e rasgou definitivamente o elástico.

    ResponderEliminar
  5. Movimento literario kuphaluxa4 de fevereiro de 2011 às 20:54

    PARABÉNS PELA INICIATIVA!

    A propósito, o Movimento Literário Kuphaluxa, está a preparar um SARAU CULTURAL EM HOMENAGEM AO MALANGATANA, para o sábado dia 12 de Fevereiro.

    A ideia do evento é exaltar o MALANGATANA POETA e vamos declamar poemas da sua autoria.

    Vamos envialos o convite, para formalizarmos o nosso pedido para a vossa presença.

    Uma vez mais, estão de parabéns e nós seremos os visitantes permanentes.

    ResponderEliminar
  6. Bem hajam, por tornarem viva a memória, a arte e o sonho que Malangatana nos deixou.
    Não tive a felicidade de o conhecer, tive a alegria de poder ver algumas das suas obras, e de ficar maravilhado por elas.

    Quando o mestre Malangatana nos deixou, eu publiquei um pequeno texto intitulado "big bang malangatana" no blog da minha Associação, e pode ser lido aqui - http://www.10pt.org/2011/01/big-bang-malangatana/

    Se quiserem podem publicar este pequeno texto de agradecimento e homenagem ao mestre,

    Boa sorte com tudo.
    Um abraço e até breve.

    Miguel

    ResponderEliminar
  7. O mestre Malangatana merece todas as memórias e homenagens. Era, não só o mestre dos artistas mas também um mestre como ser humano, um exemplo! Conheci-o pessoalmente e era sempre uma novidade e muito agradável estar perto dele, pela sua sabedoria imensa e pelo seu humanismo!

    Kanimambo Malangatana!

    ResponderEliminar
  8. Malangatana é uma memória que não podemos jamais esquecer, por tudo o que ele fez e pelos projectos que deixou por acabar.
    ELE É UM EXEMPLO DE CIDADÃO DO MUNDO.
    Todos juntos não podemos deixar morrer o seu legado.

    ResponderEliminar
  9. Este blog tem muito interesse.
    Vejam também www.anticolonial21.blogspot.com

    ResponderEliminar